
No dia 1 de outubro de 2025, a República Popular da China comemorou o septuagésimo sexto aniversário de sua fundação. Para celebrar a data em conjunto com população local, o Consulado Geral da China no Rio de Janeiro organizou uma cerimônia que contou com a participação de representantes da comunidade chinesa e da sociedade carioca, além de autoridades governamentais locais, diplomatas da China e a presença de empresários e líderes de instituições chinesas e brasileiras que atuam na cidade.
Em seu discurso, a cônsul-geral da China no Rio, Tian Min, iniciou relembrando que, ao longo dos 76 anos, o Partido Comunista da China uniu e liderou o povo de todas as etnias do país asiático em uma luta que resultou em dois grandes milagres: o rápido desenvolvimento econômico e a estabilidade social de longo prazo. “O grande rejuvenescimento da nação chinesa entrou no processo histórico irreversível. A modernização chinesa não apenas fortalece a confiança dos países em desenvolvimento em trilhar com êxito o caminho da modernização, mas também oferece a solução chinesa para o avanço do processo de modernização no mundo”.
Quanto ao desenvolvimento da China neste ano, a diplomata fez um resumo em três partes: “abertura e cooperação”, “desenvolvimento conjunto” e “equidade e justiça”. Segundo ela, no primeiro semestre de 2025, a economia chinesa registrou um crescimento de 5,3%, sendo um dos principais contribuintes para o crescimento econômico mundial. “Expandimos constantemente a abertura de alto nível ao exterior, compartilhando com o mundo os benefícios de nosso vasto mercado interno e concedendo tratamento de tarifa zero a todos os países menos desenvolvidos que têm relações diplomáticas com a China. Realizamos com sucesso várias feiras internacionais, tais como a Feira de Cantão, a Exposição Internacional da Cadeia de Suprimentos e a Feira Internacional de Comércio de Serviços. Implementamos isenção unilateral ou recíproca de vistos com 75 países. Alinhamo-nos proativamente com as regras econômicas e comerciais internacionais de alto padrão, promovendo a liberalização e a facilitação em comércio e investimento, a fim de assegurar que a China continue sendo a ‘opção preferencial’ para a cooperação internacional”.

Ao mencionar a Iniciativa Cinturão e Rota, que hoje já tem parceria com mais de 150 países, a cônsul enfatizou as oportunidades de desenvolvimento trazidas pela modernização ao estilo chinês. “Lançamos cinco projetos junto com os países latino-americanos e caribenhos, visando ao desenvolvimento e à revitalização. Propusemos a Iniciativa de Cooperação Internacional em IA+, promovendo a IA para o bem e em benefício de todos. Oferecemos, por meio de diversos mecanismos de cooperação, assistências a mais de 160 países e regiões, apoiando mais de 3.000 projetos. Além disso, fortalecemos o intercâmbio de teorias e experiências práticas de redução da pobreza, com o firme propósito de que nenhum país fique para trás no caminho da modernização”.
Em relação aos festejos do 80º aniversário da fundação da ONU, bem como o 80º aniversário da vitória na Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e na Guerra Antifascista Mundial e a um cenário internacional complexo e instável que passa por profundas mudanças e crises, a diplomata salientou a necessidade de paz, justiça e cooperação. “O presidente Xi Jinping apresentou a Iniciativa de Governança Global, defendendo a adesão à igualdade soberana, o respeito ao Estado de Direito internacional, a prática do multilateralismo, a defesa da advocacia pelo ser humano e a concentração em tomar ações concretas, incentivando ativamente a transformação do sistema de governança global. A Iniciativa de Governança Global responde ao forte apelo do Sul Global por paz, desenvolvimento e cooperação, e tem sido acolhida e apoiada amplamente pela comunidade internacional. A China está disposta a trabalhar com os países do Sul Global, incluindo o Brasil, para promover uma cooperação exemplar no âmbito da Iniciativa de Governança Global e contribuir ativamente para a reforma e o aperfeiçoamento da governança global”.
Relações sino-brasileiras
Sobre os 51 anos desde o estabelecimento das relações diplomáticas entre a China e o Brasil, a cônsul disse que ambos os países sempre se trataram com respeito mútuo e apoio recíproco, sendo bons amigos e parceiros que buscam o desenvolvimento conjunto e a cooperação de benefício mútuo. “As relações sino-brasileiras encontram-se hoje no melhor momento na história. Ambas as partes estão comprometidas em aprofundar de maneira contínua a construção da Comunidade com um Futuro Compartilhado China-Brasil, e aprofundar a sinergia de estratégias de desenvolvimento, tornando-se um modelo exemplar de união e cooperação entre os países do Sul Global”.
Segundo Tian Min, a China tem sido, por 16 anos consecutivos, o maior parceiro comercial do Brasil, e o comércio bilateral ultrapassou 100 bilhões de dólares pelo sétimo ano consecutivo. “O Brasil é o terceiro maior destino de investimentos externos da China. A sinergia entre a Iniciativa ‘Cinturão e Rota’ e as estratégias de desenvolvimento do Brasil avança de forma satisfatória. A primeira fase de cooperação abrange áreas como finanças, saúde, infraestrutura, inteligência artificial, ciência e tecnologia e meio ambiente. A China implementou, em caráter experimental, uma política unilateral de isenção de visto para o Brasil, facilitando ainda mais a mobilidade de pessoas entre os dois países. Ambas as partes aproveitarão o ‘Ano Cultural China-Brasil’, a ser realizado no próximo ano, para aprofundar ainda mais a cooperação em cultura, educação, turismo, mídia, intercâmbios locais e outras áreas”.
Ainda foi mencionado que ambos os países mantêm coordenação estreita em plataformas multilaterais como ONU, BRICS e G20, defendendo conjuntamente a equidade e a justiça internacionais. “A China apoia o povo brasileiro na defesa de sua soberania nacional e apoia o Brasil na salvaguarda de seus direitos e interesses legítimos. Estamos dispostos a reforçar ainda mais a coordenação com o Brasil e, juntamente com os países do BRICS, a opor-nos ao unilateralismo e aos atos de intimidação, salvaguardando os direitos e interesses legítimos dos países em desenvolvimento, defendendo a ordem internacional e promovendo a reforma e o aperfeiçoamento do sistema de governança global. Estamos igualmente prontos para trabalhar juntamente com o Brasil no enfrentamento dos desafios globais e para promover a alcançar resultados positivos na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), a ser realizada em Belém”.
Segundo a cônsul, neste ano, ocorreram intensos contatos entre os estados e municípios brasileiros que estão sob a jurisdição do consulado chinês e as províncias e cidades da China, com inúmeros destaques de intercâmbio e cooperação em diversas áreas. “Ainda neste ano, foi iniciado o projeto de transmissão em corrente contínua de ultra-alta tensão no Nordeste, o primeiro veículo elétrico saiu da linha de produção da fábrica da BYD em Camaçari, e foi assinado o projeto da ponte Salvador–Itaparica. Mais de 140 representantes, vindos de todas as partes da nossa jurisdição, foram convidados a participar de seminários na China. Muitos deles, ao conhecer melhor o nosso país, passaram a admirar e amar a China. O 13º e o 14º Instituto Confúcio no Brasil foram inaugurados, respectivamente, na Universidade Federal do Rio de Janeiro e na Universidade Federal Fluminense”.
Para o coordenador de relações internacionais da Prefeitura do Rio de Janeiro, Ilan Cuperstein, que representou o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, a celebração dos 76º aniversário de fundação da República Popular da China e dos cinquenta e um anos de relações bilaterais entre Brasil e China marcam a força, a história e a relevância de uma nação amiga, com a qual o Rio compartilha sólidos laços de respeito, colaboração e amizade. “O Rio de Janeiro e a China têm construído ao longo dos anos uma cooperação exemplar. Temos programas firmados de intercâmbio e colaboração em diversas áreas: cultura, educação, ciência, turismo, tecnologia, economia, esporte, mobilidade, entre vários outros temas”.
Além disso, o coordenador fez questão que mencionar que a cidade do Rio hoje estabeleceu acordos de cidades irmãs e memorandos de cooperação com diversas cidades e províncias da China. “São pontes diplomacias e institucionais que ampliam o nosso horizonte de cooperação e fortalecem o intercâmbio entre os nossos povos”, concluiu. Por fim, o evento contou com a apresentação da Orquestra Forte de Copacabana, que executou a performance das músicas chinesas “Como Desejado” e “Estrelas e Mar”, da professora Gao Chunhan, do Instituto Confúcio da PUC-Rio, que se apresentou com o instrumento tradicional chinês, Pipa, e dos representantes da State Grid Brasil que cantaram o clássico “Eu te amo, China”.

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