Balé Nacional da China retorna ao Brasil com uma adaptação do clássico “O Quebra-Nozes” que celebra a cultura chinesa

Crédito: Wang Tiancong/Xinhua.

O Balé Nacional da China retorna ao Brasil com apresentações no Rio de Janeiro até o dia 12 de outubro de 2025, na Cidade das Artes, e depois em São Paulo, de 16 a 19 de outubro, no Teatro Bradesco. Ontem, 9 de outubro, com o espetáculo “GuoNian: O Ano Novo Chinês”, uma adaptação do clássico “O Quebra-Nozes” de Tchaikovski que celebra a cultura chinesa, o público carioca teve contato com diversos símbolos e costumes do povo chinês, em especial elementos da cultura popular e familiar de Beijing (Pequim), durante o também chamado Festival da Primavera.

O resumo do enredo gira em torno do pequeno Tuantuan e sua prima Yuanyuan durante os festejos do Ano Novo Chinês. Em uma feira, todos ao redor deles estão em clima de alegria e as crianças compram uma máscara do monstro Nian. Este é uma criatura presente na mitologia chinesa. Diz a lenda que, neste período do ano, ele descia das montanhas para aterrorizar vilarejos. Um dia, um idoso sábio percebeu que barulho alto, fogo e cor vermelha aterrorizavam e espantavam o monstro. Assim, tornou-se tradição no Ano Novo Chinês usar cor vermelha, fogos de artifício, tambores, lanternas e papeis de parede, no intuito de espantar energias negativas e trazer boa sorte.

Voltando a Tuantuan e Yuanyuan, na véspera do Ano Novo Chinês, um amigo estrangeiro visita a casa do avô deles e presenteia Yuanyuan com um quebra-nozes. Isso causa ciúmes em Tuantuan que rouba o boneco da prima. Contudo, com a ajuda dos familiares, Yuanyuan consegue ter o seu quebra-nozes de volta. Em seu quarto, ela adormece abraçada em seu querido brinquedo, com o objetivo de protegê-lo das investidas de Tuantuan. Deste momento em diante, a pequena sonha que o primo se transforma no monstro Nian. Da mesma forma, seu querido quebra-nozes vira um jovem de carne e osso. Nesse cenário mágico de um sonho infantil, somos apresentados à Rainha das Garças, ao Reino da Porcelana, aos 12 signos do zodíaco chinês, à dança do leque, às coreografias da Seda, da Pipa, do Pião e do Lingote de Ouro.

Em reportagem publicada pela Agência de Notícias Xinhua e redigida por Chen Weihua, a presidente do Conselho de Turismo da Federação das Câmaras de Comércio Exterior, Ana Carvalho, disse que: “É incrível que um balé clássico ocidental como ‘O Quebra-Nozes’ possa ser apresentado em um formato tão inovador”. Já o presidente da Associação de Amizade Sino-Brasileira, Henrique Nóbrega afirmou que: “Os bailarinos eram altamente qualificados e o palco estava magnífico. Adorei particularmente o figurino e os cenários, que me lembraram de lugares que visitei na China. A adaptação da coreografia clássica pelos bailarinos chineses foi de tirar o fôlego, e a fusão das técnicas tradicionais do balé com a beleza única da cultura chinesa foi, sem dúvida, o ponto alto de toda a apresentação“. A turnê brasileira é apresentada pela CTG Brasil, tem patrocínio da SPIC Brasil, produção da Dellarte e realização da GAIA e do Ministério da Cultura e Governo Federal do Brasil, com o apoio da Lei Rouanet – Incentivo a Projetos Culturais, da Embaixada da China no Brasil e dos Consulados da China no Rio e em São Paulo.

Crédito: Wang Tiancong/Xinhua.

O Balé Nacional da China e o Ano Cultural China-Brasil

Fundado em dezembro de 1959, a companhia, em seus 60 anos de atividades, formou grandes talentos da China e teve diversas conquistas na produção de espetáculos, assim como na promoção e educação do balé. Conforme informa a organização do evento, o repertório da companhia conta com mãos de 200 balés, muitos hoje considerados clássicos da China que são reconhecidos internacionalmente. O Balé Nacional da China também atua como embaixador cultural, sendo uma importante janela para a difusão da cultura do país asiático. Seus bailarinos, coreógrafos, músicos e artistas conquistaram prêmios internacionais e colaboraram com nomes conhecidos de outros países.

De acordo com a equipe do Balé, ao longo das décadas, a companhia nunca deixou de enriquecer suas sólidas bases russas com obras de diferentes escolas e estilos. “Ao mesmo tempo em que apresenta balés ocidentais e cria obras próprias com características nacionais distintas, a companhia encontrou um caminho de sucesso para o desenvolvimento do balé chinês, fundindo o clássico e o moderno, assim como culturas de todo o mundo”.

Crédito: Wang Tiancong/Xinhua.

Em 2010, o Balé Nacional da China veio ao país pela primeira vez, em uma turnê memorável que deixou o público brasileiro profundamente impactado com o espetáculo de ‘Lanternas Vermelhas’… Esse vínculo se fortaleceu ainda mais em 2019, quando a companhia apresentou ‘O Lago dos Cisnes’ nos palcos do Brasil, sob a coreografia de Natalia Makarova”, lembrou Myrian Dauelsberg, presidente da Dellarte.

Nas palavras do embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, “Brasil e a China têm culturas ricas que se inspiram… Ao longo dos últimos anos, música, dança, culinária e esportes se tornaram pontes novas conectando os dois povos… 2026 será o Ano Cultural China-Brasil, durante o qual serão realizadas atividades de intercâmbio cultural, no intuito de aprofundar a amizade entre chineses e brasileiros e promover o aprofundamento do entendimento mútuo e a cooperação amigável”.

Fonte: Programa impresso da turnê brasileira 2025 “GuoNian: O Ano Novo Chinês”, Balé Nacional da China

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