Mais de seis décadas de tradição da organização de coreanos radicados no Japão

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Crédito: ABC.

Como todos sabem, a Coreia esteve sob o domínio colonial do Japão por quatro décadas e as marcas de sua dominação brutal persistem até os dias de hoje tanto no território coreano, como na população interna ou residente no exterior. Dentre essas marcas estão as do “recrutamento forçado” da administração do império japonês na Coreia, que levou centenas de milhares de coreanos para território estrangeiros para servir aos interesses da classe dominante, tanto nos campos de batalha da guerra, quanto nos campos de construção e nas fábricas.

Muitos coreanos perderam suas vidas lutando em defesa de uma guerra que não era sua, trabalhando em benefício que não era o seu, e viveram sem grandes perspectivas de retornar à pátria sabendo as condições que se encontrava seu território dominado e saqueado pelos imperialistas. Estes pobres homens e mulheres, levados como verdadeiros escravos ao território nipônico, não tinham direito nem sequer a se declarar como coreanos e eram coagidos a mudar de nome e até se naturalizar japoneses.

Os filhos destes, todavia, ganharam uma nova perspectiva de vida com a vitória da Coreia sob a liderança do General Kim Il Sung e a derrota do Japão em todas as frentes, incluindo na Segunda Guerra Mundial, o que lhes trazia a esperança de retornarem à sua terra natal. Ciente a situação dos compatriotas residentes no exterior, que viviam como párias na sociedade japonesa, que conviviam com preconceito e repressão em sua vida cotidiana, o então Primeiro Ministro Kim Il Sung tomou a decisão de fundar a Associação Geral de Coreanos Residentes no Japão em 25 de maio de 1955, e tomou todas as medidas para garantir aos coreanos residentes em terra hostil os mesmos direitos de qualquer cidadão da República Popular Democrática da Coreia (RPDC).

Mesmo no difícil período pós-guerra onde as forças concentravam-se na reconstrução e recuperação da economia nacional, o líder coreano tomou medidas ativas para a construção do edifício de Chongryon em Tóquio e escolas em várias partes onde se encontravam os filhos de coreanos.  Resolveu também o dilema que sucederam os anos pós-libertação quando o movimento dos coreanos no Japão não era centrado na ideia do Partido do Trabalho da Coreia e defendia, de forma abrangente, a revolução em território japonês, o que ocasionou em uma repressão mais severa do governo deste país e seus aliados. Sua solução foi unir os coreanos sob o ideais de reunificação pacífica, democracia e amizade entre os povos.

Líderes da Chongryon. Crédito: Times Union.

Assim, ele defendeu que os coreanos no Japão deveriam apoiar as lutas do povo japonês, mas não fazer uma revolução no lugar deles. Por outra parte, destacou que como coreanos têm o papel de exaltar sua pátria, manter de geração em geração as brilhantes tradições nacionais e contribuir à revolução coreana na medida do possível. Desta maneira, o movimento de coreanos no Japão ganhou força e tornou-se mais coeso, reunindo até mesmo aqueles que tiveram contato ou alguma simpatia com o regime sul-coreano, o que causou preocupação entre as autoridades japonesas (da mesma forma), mas também das sul-coreanas e estadunidenses.

Foram organizadas uma seguida da outra as organizações de coreanos ligadas à Chongryon, incluindo a União das Mulheres Democráticas da Coreia no Japão, a União dos Comerciantes Coreanos, a Liga da Juventude Coreana, dentre outros. A dignidade dos coreanos residentes no Japão foi elevada, já que passaram a usufruir de benefícios estatais da RPDC. Os coreanos-japoneses de todos estratos sociais agora podiam até mesmo votar e serem eleitos deputados para a Assembléia Popular Suprema da RPDC e muitos deles foram homenageados com altas condecorações estatais e títulos de honra.

Vale ressaltar, neste ponto, também que, entre os anos das décadas de 1950 e 1960, uma quantidade considerável de coreanos residentes no Japão regressou à pátria e reencontrou seus entes queridos depois de tanto tempo, estabelecendo-se permanentemente no país. Foi uma iniciativa do governo da RPDC oferecer aos coreanos que quisessem retornar esta oportunidade. Porém, não seria possível levar todos e o governo japonês começava a por obstáculos nestes trâmites. Apesar disso, até 1990, 100 mil coreanos regressaram.

Chongryon deu o primeiro passo da educação nacional construindo escolas para adultos e jovens, considerando-a como a linha de vida e ponto de partida de suas atividades. Até os dias de hoje leva a cabo dinamicamente a educação nacional com base no sistema regular, que vai desde o ensino geral até o ensino superior. Também realiza uma variedade de atividades culturais e artísticas nacionais para que a comunidade coreana esteja sempre viva com canções e danças coreanas e eventos que acontecem para exaltar sabedoria e história nacional.

Porém, apesar da benevolência do governo da RPDC, os coreanos residentes no Japão seguiram enfrentando constante repressão das autoridades japonesas, das forças de extrema-direita, além do preconceito fortemente arraigado na sociedade japonesa. Em determinadas épocas, as manifestações de coreanos contra medidas tomadas pelo “governo” japonês eram fortemente reprimidas pela polícia, coreanos eram presos sob acusação de “espionagem”, as sedes de Chongryon eram vasculhadas pela polícia, dentre outros atos hostis.

Embora estejamos falando no passado, atos semelhantes ainda ocorrem atualmente sob o regime de Shinzo Abe, saudoso dos tempos do militarismo japonês, que mantém arraigada política de hostilidade contra os coreanos mesmo sob a reprovação unânime da sociedade internacional e dos japoneses de consciência progressista. Recentemente tivemos jovens coreanos tendo seus materiais esportivos sendo tomados após regressar de visita à pátria por supostamente estar violando as “sanções” imposta pelo governo japonês, tiros contra a sede de Chongryon por parte de extremistas, ofensas públicas a crianças coreanas por parte de militantes do partido fascista japonês “Partido Japão Primeiro”, invasão da polícia a edifícios de Chongryon, corta de verbas básicas do governo para as escolas coreanas, ofensas proferidas por autoridades governamentais, e etc.

A polícia antimotim japonesa impede os direitistas japoneses de tentar bloquear a manifestação dos membros do Chongryon. Crédito: AFP Yonhap/english.hani.co.kr

Além disso, tivemos as tentativas de corromper os coreanos no Japão e afastá-los dos ideais comunistas. Mesmo o reverendo Sun Myung Moon, dito como “nacionalista” teve participação nos movimentos para fragmentar o movimento dos coreanos no Japão, e conseguiu afastar certa quantidade de coreanos da associação dirigida pelos norte coreanos. Entretanto, a maioria permaneceu de geração em geração firmemente fiel aos líderes e tomaram parte na luta para combater os movimentos anti-Chongryon e ganharam apoio das figuras progressistas no Japão e no mundo.

Eles eram leais à pátria e à revolução, e consideravam a República Popular Democrática da Coreia como seu verdadeiro país, recusando resolutamente o regime dirigido por forças estrangeiras ao sul da Península que não se preocupava com seu próprio povo. As saudações ao General Kim Il Sung, que enfureciam os imperialistas japoneses durante a luta armada antijaponesa, os atordoava mesmo após a derrota do país criminoso de guerra, com as vozes dos coreanos residentes em terras japonesas seguindo as tradições de seus antepassados.

Não era por acaso que tinham adoração pelo General que libertou sua terra natal. Era ele que tomava as medidas objetivas, elevando a auto-estima do povo. Um exemplo a ser citado é o fundo de ajuda educacional e outras provisões enviadas desde 1957 para o progresso da educação nacional democrática que chegou a cerca de 47 569 190 390 ienes. Mesmo após o falecimento do Líder, eles permaneceram fiéis ao seu sucessor, o Dirigente Kim Jong Il, e prestaram importante apoio à reconciliação nacional – com sua propaganda abrangente – e encorajaram seus compatriotas no difícil período da Árdua Marcha. Da mesma forma, em 1995 quando um terremoto atingiu o Japão e infligiu desgraças aos coreanos, ele prestou assistência não somente aos integrantes de Chongryon, mas também os de “Midan” (pró-Sul), mesmo com as dificuldades econômicas que a RPDC enfrentava.

O transcurso do tempo provou o poderio da unidade de Chongryon, orientado pela Ideia Juche e guiada pelos líderes da Coreia socialista. Apesar de todas as dificuldades, a organização expandiu-se e tornou-se exemplar em seu trabalho em prol da pátria socialista. Hoje, sob a direção do Máximo Dirigente Kim Jong Un, a tradição da Associação de Coreanos Residentes no Japão permanece avançando apenas pelo caminho de vitórias, superando todos os obstáculos que surgem no caminho. São constantes as reuniões de ramos e de nível central de Chongryon, o nível de ensino foi melhorado e seus integrantes, em geral, são fortes no campo ideológico, exemplares em conduta cívica e moral e destacados em vários ramos do trabalho.

23º Congresso de Chongryon realizado no Japão, em 2014. Crédito: kfausa.org

O Máximo Dirigente coreano todos os anos envia fundos à Chongryon e cartas de congratulação. Ademais, constantemente delegações de ramos da associação visitam a RPDC para conhecer mais a pátria, trocar opiniões com autoridades nacionais e promover intercâmbio. Na época atual, quando o Japão movimenta-se com astúcia para o ressurgimento do militarismo e para a fascistização da sociedade, Chongryon cumpre um papel essencial na defesa dos interesses dos coreanos naquele país e dos ideais progressistas que são comuns aos povos de ambos países. Neste ano, Chongryon completou 64 anos como fila dos fortes em convicção e fidelidade que servem à pátria e nação sob a bandeira do Juche e do patriotismo.

Lenan Cunha

Estudante de Jornalismo pela Uninter e Vice-Presidente do Centro de Estudos da Política Songun do Brasil. Organizador do blog A Voz do Povo de 1945, onde realiza muitas traduções de obras coreanas

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