Em defesa da vida: Nobel da Paz aos médicos cubanos

Médicos e enfermeiras da Brigada Médica Internacional Henry Reeve, de Cuba, posam com um retrato do falecido líder cubano Fidel Castro enquanto se despedem antes de viajar para a Itália, que foi duramente atingida, para ajudar na luta contra a pandemia de coronavírus COVID-19, na Unidade Central de Cooperação médica em Havana, em 21 de março de 2020. – A Itália fechou todas as fábricas não essenciais depois de registrar outro número recorde de coronavírus que levou suas mortes a 4.825 – mais de um terço do total do mundo e um lembrete sombrio de que a pandemia permanece fora de controle. Crédito: Yamil Lage / AFP/Brasil de Fato.

Dezenas de nações da América Latina e Caribe, entre elas o Brasil, estão reunidas em uma mobilização de solidariedade continental pela concessão do Prêmio Nobel da Paz ao Contingente Henry Reeve de Médicos Cubanos. A campanha conta com apoio oficial de mais de 20 organizações europeias da Irlanda, da Espanha, da Itália, entre outras, que lutam em defesa da dignidade aos povos. Para que a brigada seja nomeada com o prêmio é necessário cumprir alguns requisitos formais. Um dos caminhos é de que a indicação seja feita por uma pessoa agraciada com esta honraria. A iniciativa ficou a cargo do escritor argentino, Adolfo Esquivel, que recebeu o Nobel da Paz em 1980, após anos de trabalho pela cultura da não violência na América Latina.

Formada por profissionais da saúde especializados em situação de desastres e epidemias graves, a Brigada Henry Reeve atua com destaque, desde 2005, e já esteve em países como Angola, Haiti, Chile, Paquistão, Guatemala, Bolívia, México, China, Peru e da África subsaariana. Há mais de 20 equipes da brigada em atuação contra o Covid- 19 no mundo todo, abarcando dois mil profissionais formados em Cuba. Desde a primeira missão solidária, em 1960, Cuba tem estado presente, com mais de 36 Brigadas Médicas Emergentes, em países afetados por diferentes catástrofes como terremotos, furacões, inundações e erupções vulcânicas.

Crédito: Granma.

O Contingente Internacional de Médicos Especializados en Situaciones de Desastres y Graves Epidemias Henry Reeve leva o nome do norte americano, que aos 19 anos, deixou o Brooklyn para unir-se à emancipação cubana contra o colonialismo espanhol e converter-se em general de brigada do Exército Libertador. Em 1876, ao morrer nos campos de batalha em Cuba, contava com 26 anos de idade, sete de sua juventude dedicados à causa de liberdade. Desde o anúncio formal do COVID-19, o mundo tem sido assaltado por notícias que oscilam entre o sensacionalismo, as preocupações reais e o descaso no combate ao vírus, em um cenário que envolve questões multifacetadas, promovendo o fechamento de fronteiras na esteira que reforçou atitudes discriminatórias, correntes de ódio, estigmas e preconceitos.

Enxergar os limites das prioridades nos investimentos e de valorização da pesquisa científica, para muitos países ainda é uma quimera. Enquanto a humanidade aguarda por uma vacina, outras esperanças depositadas em um “novo normal” correm ao sabor do vento, almejando que a pandemia deixe algumas questões para repensar, dentro de uma realidade profunda, paradigmática, cultural, ética e moral, o prelúdio das mudanças voltadas ao humanismo, capaz de reconhecer o valor destes médicos cubanos, que nas situações mais adversas colocam sua saúde em risco para salvar vidas. Há quem exporte armas e guerras, há quem exporte cosméticos, roupas, caviar e bebidas. Cuba exporta médicos por muitas razões, entre elas o internacionalismo e a solidariedade!

Fonte: Texto originalmente publicado no jornal A Tribuna (Santos/SP).
Maria do Carmo Leite
Professora universitária e Diretora de Relações Internacionais da Associação Cultural José Martí

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