A trágica vida da cientista que revolucionou o mundo Marie Sklodowska-Curie em “Radioatividade”

“Radioactive” (2019) de Marjane Satrapi. Crédito: divulgação.

Que filme triste, este “Radioatividade” (2019) de Marjane Satrapi… Da fotografia dessaturada à trilha sonora minimalista…tudo leva para a ambientação melancólica, apropriada para narrar a história trágica da cientista Marie Sklodowska-Curie, descobridora dos elementos químicos Rádio e Polônio…e da própria Radioatividade…

O roteiro é pontuado de passagens de eventos históricos que são influenciados pela descoberta de Marie – da primeira aplicação de radioterapia ao ataque nuclear de Hiroshima. E a descoberta em si é o próprio fantasma que assombra a vida de Marie – ela mesma, morta em função dos anos e anos exposta à contaminação radioativa em função de suas pesquisas.
O filme tem todas as virtudes e falhas de uma cinebiografia…pontuando os eventos principais da vida retratada com outros, artificiais, que servem para dar sentido à obra.

Rosamund Pike está bem como Marie. Ela é uma atriz perfeita para personagens disfuncionais. Poucas pessoas marcaram tanto o futuro quanto Marie. Sua descoberta revolucionou os tratamentos de saúde, o setor energético, o estudo de materiais…e a guerra… E esse legado trágico e contraditório pontua todo o filme.

O tom frio da direção de Marjane é correto para as pretensões da obra. Mas, ao mesmo tempo, corrobora para uma conexão mais distante e fria. Este trabalho pode sugerir uma boa reflexão sobre os limites da ciência…ainda que a intenção da diretora se volte mais para as tragédias de Marie (morte do marido, antissemitismo, solidão, machismo). Ainda sim é um bom filme…

Fonte: texto originalmente publicado no site do O Beco do Cinema.
Link direto: https://obecodocinema.wordpress.com/2021/05/15/radioactive-2019-de-marjane-satrapi/

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