Lê Đức Thọ: prêmio Nobel e um diplomata revolucionário em favor da causa vietnamita

Lê Đức Thọ. Crédito: SỰ THẬT ĐẢNG CỘNG SẢN VIỆT NAM – WordPress.com

Lê Đức Thọ, nascido no dia 14 de outubro de 1911, na província de Nam Dinh, foi um revolucionário, diplomata e político vietnamita. Sendo o primeiro cidadão de seu país a receber o Prêmio Nobel da Paz, apesar de ter se recusado a recebê-lo. Ele partilharia a premiação com o Secretário de Estado dos Estados Unidos Henry Kissinger, em 1973. Com uma vida dedica a luta do Vietnã por independência, Lê Đức Thọ faz parte dos grandes nomes nacionais que hoje são reconhecidos e relembrados naquela nação.

Em 1930, trabalhou incessantemente para fundar o Partido Comunista Indochino. Contudo, foi preso pelas autoridades coloniais francesas de 1930 a 1936 e, depois, novamente, de 1939 a 1944. Em 1945, após ser solto, integrou o movimento pela independência do Vietnã, combatendo os franceses até 1954, ano que foram assinados os Acordos de Genebra. Nesta conferência, tratou-se especificamente das questões referentes à península coreana e a Primeira Guerra da Indochina entre França e o Movimento Revolucionário de Libertação Nacional (Việt Minh), criado por Hồ Chí Minh, enquanto estava na China.

Conferência de Genebra, 21 de julho de 1954. Crédito: U.S. Department of States.

Nesta ocasião, os acordos estabelecidos acabaram por separar o Vietnã em norte e sul. A parte norte estaria sob o controle do Việt Minh, e a sul seria regida pelo ex-imperador Bảo Đại. Apenas a França e o Viêt Minh assinaram a declaração final, que subscrevia como condição principal a realização de “eleições gerais” supervisionadas internacionalmente em 1956, no intuito de unificar o país. Os franceses com esta iniciativa almejavam retomar o domínio colonial e o Viêt Minh visava consolidar sua posição no norte e ganhar o futuro pleito. O Vietnã do Sul e os Estados Unidos não assinaram a declaração.

Nesta época, mais precisamente em 1948, Lê Đức Thọ estava no sul, servindo como vice-secretário e chefe do Departamento de Organização do Partido do Comitê de Cochinchina. Em 1955, uniu-se ao Partido dos Trabalhadores do Vietnã, posteriormente o Partido Comunista do Vietnã. A guerra teve seus primeiros acontecimentos em 1960 com a atuação conjunta dos guerrilheiros nacionalistas e comunistas no Vietnã do Sul, apoiados ativamente pelo Vietnã do Norte.

Em 1964, os Estados Unidos entram na guerra, em apoio ao governo do sul, fazendo com que a questão vietnamita tomasse proporções internacionais. Contudo, entre 1968 e 1973, iniciaram-se várias negociações entre as partes, na cidade de Paris. Com as constantes derrotas das tropas norte-americanas no Vietnã e o avanço das tropas norte-vietnamitas para o sul, Henry Kissinger, assessor nacional de segurança dos EUA, acabou tendo de conversar secretamente com Lê Đức Thọ.

Entre as questões negociadas estavam: a libertação de prisioneiros de guerra, cessar-fogo monitorado pela Comissão Internacional de Controle e Supervisão (ICC); eleições livres e democráticas para o Vietnã do Sul; a continuação da ajuda dos EUA ao Vietnã do Sul; e a permanência das tropas norte-vietnamitas na parte sul. Paralelamente a estas conversações que ocorriam em particular, na esfera pública Xuân Thuỷ liderou as negociações oficiais e públicas, representando a República Democrática do Vietnã. Contudo, foi o trabalho entre Lê Đức Thọ e Henry Kissinger que resultou na assinatura de um Acordo de Paz em Paris, em 23 de janeiro de 1973.

Apesar da promulgação de tais acordos, a diplomacia continuava a negociar, pois combates esporádicos ainda ocorriam em algumas regiões e, apesar das forças terrestres dos EUA deixarem o Vietnã, bombardeios intensos seguiam no Vietnã do Norte, especificamente em Hanoi e em Haiphong. Em razão de seus esforços, Tho e Henry Kissinger receberam conjuntamente o Nobel da Paz de 1973. No entanto, Thọ recusou-se a aceitar o prêmio, alegando que a paz ainda não tinha sido estabelecida e denunciava a violação dos governos de EUA e Vietnã do Sul das premissas estabelecidas no Acordo de Paris.

A jornalista Flora Lewis do New York Times, em um texto escrito na época citou a carta de Tho com relação ao improvável fim real do conflito armado: “durante os últimos 18 anos, os Estados Unidos empreenderam uma guerra de agressão contra o Vietnã. O imperialismo americano foi derrotado. O Acordo de Paris foi assinado. Trata-se de uma grande e histórica vitória do povo vietnamita e das pessoas justas e pacíficas do mundo. Contudo, desde a assinatura do Acordo de Paris, os Estados Unidos e a administração de Saigon continuam a violar gravemente uma série de cláusulas-chave deste acordo. o governo de Saigon, auxiliado e encorajado pelos Estados Unidos, continua seus atos de guerra”.

O cessar-fogo não duraria e a guerra apenas teria fim com a queda do governo sul-vietnamita em 1975, e a chegada das tropas norte-vietnamitas, capturando o sul e unificando o país. Algum tempo depois, Lê Đức Thọ passou a ter outras missões diplomáticas, entre 1978 a 1982, em especial quando foi nomeado para atuar como conselheiro-chefe da Frente Unida de Kampuchean para a Salvação Nacional (FUNSK) e depois para a jovem República Popular de Kampuchea.

De acordo com a autora Margaret Slocomb, a missão de Lê Đức Thọ foi garantir e dar suporte aos interesses do Vietnã no Camboja depois que o Khmer Vermelho fosse derrubado. De 1982 a 1986, ele foi ainda membro permanente do Secretariado do Comitê Central do Partido, tornando-se posteriormente conselheiro do Comitê Central do Partido. Morreu de câncer em outubro de 1990.

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